Esta
semana eu estava na sala de espera do cardiologista, aguardando ser chamado e me
dizer o que tinha dado em meu exame do coração. Há alguns dias atrás, eu estava com uma gripe muito forte e com probabilidade de uma pneumonia. Felizmente não era pneumonia, mas o raio-x
apresentou uma alteração no tamanho do coração, daí a necessidade de se fazer
outro exame...
Bem,
voltando à sala de espera. Estava eu naquela sala silenciosa, quando resolvi dar uma
olhada nas revistas, e o que a gente já sabe, é que revista em consultório médico é
uma volta ao passado... Mas desta vez ,eu vi uns 4 gibis do Maurício de Souza, e
por incrível que possa parecer, eram novos.
Peguei um do Cascão e comecei a
ler, o que há muitos anos não fazia, coisa que eu adorava ler quando criança, e agora
achava bobagem ler estas historiazinhas "bobinhas". Comecei a me entreter com
a leitura e uma história me chamou a atenção.
Chamava-se "De mal pra
sempre".
Era uma história engraçadinha, onde o Cascão e seu melhor amigo
Cebolinha, acabavam brigando por qualquer bobagem, cada um ia para sua casa
(eram vizinhos) e cada um, ao entrar todo nervoso era indagado pela mãe o ocorrido, eles
diziam que tinham brigado e agora era para sempre, e que não queriam mais ver a
cara do outro nunca mais. As mães então diziam, "outra vez", e eles
"sim, mas agora é para sempre".
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Agora é para sempre!!! |
Depois
os dois entravam em suas casas, começavam a pegar as coisas de um e de outro que estavam consigo,
para devolver e nunca mais ter que falar com o amigo. Mas, quando chegavam perto
um do outro (com os olhos vendados para não se verem), acabavam voltando
a amizade. E assim suscediam as briguinhas e as voltas às boas dos dois amigos.
a amizade. E assim suscediam as briguinhas e as voltas às boas dos dois amigos.
Nesta
hora me deu uma tremenda sensação boa, da época de criança, onde os amigos
viviam brigando e sempre acabavam voltando sem nenhuma rusga e nenhum
ressentimento. Simplesmente esqueciam o acontecido e continuavam a boa amizade
que um curtia pelo outro. Comecei a pensar, como nós adultos complicamos as
coisas, fazemos muitas vezes uma tempestade em um copo dágua, já nem mesmo lembramos
o "porquê" que brigamos, mas não temos a humildade de voltar as boas.
Lembro-me
de ter lido uma frase que dizia "a amizade é como um copo de cristal, uma
vez quebrado nunca mais se recupera". Que bobagem, por que esta regra tão
boba e arrogante. Por que simplesmente não podemos reconhecer nossos erros e
pedir perdão, ou por que não podemos simplesmente perdoar e aproveitar estes
momentos tão bons que é curtir uma amizade pura e desinteressada?
Estava
pensando tudo isso, e pensando naturalmente na minha vida, que hoje com 50 anos,
às vezes faço contas de quantos ainda viverei. Penso nas coisas ruins que aconteceram, e que tanto gostaria de apaga-las e poder ter de volta amigos e parentes que tanto sinto falta.
É horrível pensar que talvez eles irão ao meu enterro e talvez comentar que eu era uma boa pessoa.
às vezes faço contas de quantos ainda viverei. Penso nas coisas ruins que aconteceram, e que tanto gostaria de apaga-las e poder ter de volta amigos e parentes que tanto sinto falta.
É horrível pensar que talvez eles irão ao meu enterro e talvez comentar que eu era uma boa pessoa.
Se
"era" por que não podemos aproveitar esta vida juntos? Por que complicamos tanto,
uma vida que é tão passageira, e que quando fazemos nossos 40, 50, ela voa tão
rápido que já não sentimos ela passar.
Será
que somos tão perfeitos que não erramos, e se erramos não podemos aceitar que
nosso amigo erre?
Por
que tem que ser "pra sempre"?
Enfim,
acabei sendo chamado pelo médico e ele me disse que não era nada sério, e que
deveríamos fazer uma acompanhamento a cada 2 anos. Sei lá quantos 2 anos mais.
Ulysses M. Gavaldão
Em homenagem ao dia das crianças, com quem
ResponderExcluiraprendemos a nao esquecer que temos uma
alma de criança, que a razão é que envelhece!!
Lucia HB Gavaldao